
CONFEDERAÇÃO BRASILEIRA DE CINOFILIA
Fédération Cynologique Internationale
GRUPO 1
Padrão FCI 191 -
27/09/2002
Padrão Oficial da Raça
BOUVIER DES FLANDRES
CONFEDERAÇÃO BRASILEIRA DE CINOFILIA
Filiada à Fédération Cynologique Internationale
Classificação F.C.I.:
Grupo 1 Cães
Pastores e Boiadeiros (Exceto Boiadeiros Suíços)
Seção 2 Cães Boiadeiros
Padrão FCI n o 191 27 de setembro de 2002.
País de origem: Bélgica / França
Nome no país de origem: Bouvier des Flandres / Vlaamse Koehond
Utilização: Originalmente, o Bouvier de Flandres foi empregado como condutor de gado, como cão de tração e como cão batedor. A modernização dos equipamentos das fazendas modificou sua utilização inicial e, atualmente, o Bouvier de Flandres serve,
principalmente, como cão de guarda da propriedade e das fazendas, cão de defesa e policial. Suas aptidões físicas e mentais, suas excelentes qualidades olfativas, sua iniciativa e inteligência permitem que ele seja utilizado como cão de faro, estafeta ou perseguidor de caçadores de caça proibida.
Sujeito à prova de trabalho para campeonato internacional.
Sergio Meira Lopes de Castro
Presidente da CBKC
Domingos Josué Cruz Setta
Presidente do Conselho Cinotécnico
Tradução: Suzanne Blum
Impresso em: 28 de outubro de 2005.
BOUVIER DES FLANDRES
RESUMO HISTÓRICO o Bouvier des Flandres, como indica seu nome, é originário da região de Flandres, região essa considerada tanto belga quanto francesa, sem
qualquer fronteira natural separando. Os boiadeiros e condutores de gado de Flandres, que precisavam de bons cães para conduzir seus rebanhos, selecionavam os cães de acordo com suas qualidades, comportamento e físico. Qualidades que o atual Bouvier
des Flandres herdou.
APARÊNCIA GERAL: brevilíneo. Com tronco curto e atarracado, membros fortes e bem musculosos. O Bouvier de Flandres dá uma impressão de potência sem rusticidade. Deve ser julgado em sua posição natural, sem nenhum contato com o
apresentador.
PROPORÇÕES IMPORTANTES
• o comprimento do corpo, da ponta do ombro à ponta da nádega, deve ser, sensivelmente, igual à altura na cernelha.
• a proporção do comprimento do crânio em relação ao comprimento do focinhoé de 3:2.
COMPORTAMENTO / TEMPERAMENTO: possui temperamento calmo, sensível, equilibrado e destemido. Pelo fogo do olhar, ele revela inteligência, energia
e audácia. Deve conservar, absolutamente, suas aptidões para o trabalho. Qualquer desvio que possa prejudicálas deverá ser penalizado.
CABEÇA: de aparência massuda; mais acentuada ainda pela barba e pelos bigodes.É proporcional ao tronco e ao porte. Revela-se
bem cinzelada ao toque.
REGIÃO CRANIANA: bem desenvolvida e plana; um pouco mais longa que larga. As linhas superiores do crânio e do focinho são paralelas. O sulco frontal é apenas marcado.
Stop: pouco marcado, mais aparente que real em virtude dos supercílios elevados.
REGIÃO FACIAL
Trufa: de perfil, continua a linha superior do focinho em suave arco convexo na ponta.
Bem desenvolvida, de narinas bem abertas, bordas arredondadas e sempre de cor preta.
Focinho: grande, poderoso, ossudo, de linha superior reta, diminuindo para a frente,
sem ser pontudo. Mais curto que o crânio na proporção de 3:2, e, seu perímetro,
medido logo à frente dos olhos, é quase igual ao comprimento da cabeça.
Lábios: bem fechados e fortemente pigmentados.
Maxilares / Dentes: poderosos, de igual comprimento, podendo articular os dentes incisivos, igualmente, com a mordedura em tesoura, ou tocando-se de topo com a
mordedura em torquês. Dentes fortes, brancos e sadios. A dentição deve ser completa.
Bochechas: planas e secas. Arcos zigomáticos pouco salientes.
Olhos: de expressão franca e enérgica; nem proeminentes nem profundos nas órbitas. De formato ligeiramente oval, são inseridos numa linha horizontal. A cor deve ser
a mais escura de acordo com a pelagem. Os olhos claros ou de rapina devem ser
severamente penalizados. Pálpebras de cor preta, sem sinal de despigmentação. As conjuntivas não devem nunca ser aparentes.
Orelhas: cortadas em forma de triângulo; portadas bem retas; inseridas altas e móveis; recomenda-se
que o corte seja
proporcional ao tamanho da cabeça.
Orelhas não amputadas:
Posição: de inserção alta, acima do nível dos olhos, a dobra
não deve ultrapassar o plano superior do crânio.
Forma e porte: semilongas, em forma de um triângulo
eqüilátero, levemente arredondadas nas pontas, caindo rentesàs faces, salvo um leve afastamento junto à inserção; nem dobradas nem cacheadas; proporcionais ao tamanho da cabeça; revestidas de pêlos rasos.
PESCOÇO: deverá ser livre e suficientemente elevado. Forte, musculoso, alargando-se
gradualmente para os ombros; seu comprimento é ligeiramente menor que o da
cabeça. Nuca poderosa e ligeiramente arqueada. Sem barbelas.
TRONCO: poderoso, robusto e curto.
Linha superior: linha superior do dorso e do lombo horizontal, esticada e firme.
Cernelha: ligeiramente saliente.
Dorso: curto, largo, musculoso e bem substancioso; sem aparência de fraqueza, ainda
que flexível.
Lombo: curto, largo, musculoso; flexível e sem aparente fraqueza.
Garupa: em continuação à linha superior fundindo-se
imperceptivelmente à cintura pélvica. De largura moderada nos machos e mais desenvolvida nas fêmeas. A garupa
caída é um defeito.
Peito: largo e bem descido até o nível dos cotovelos. Ele não deve ser cilíndrico. As primeiras costelas são ligeiramente arqueadas; as outras, bem arqueadas e muito inclinadas para trás, conferindo o comprimento desejável ao peito. As costelas planas serão severamente penalizadas. A distância entre a parte anterior do esterno e a última costela deve ser grande, mais ou menos 7/10 da altura na cernelha.
Linha inferior: a parte inferior do peito se levanta muito ligeiramente para o ventre levemente esgalgado. Os flancos são curtos, especialmente nos machos.
CAUDA: inserida relativamente alta, devendo estar no alinhamento da coluna vertebral. Alguns cães podem apresentar anurismo congênito, não devendo ser
penalizados. A cauda deve ser cortada na semana do nascimento, deixando duas ou
três vértebras. Nos países onde a caudectomia é proibida, a cauda inteira é admitida.
MEMBROS
Anter iores: de ossatura forte, bem musculosos. São perfeitamente retos e paralelos
vistos de frente.
Omb r os: escápulas relativamente longas, musculosas, sem serem pesadas; moderadamente anguladas; do mesmo comprimento que o úmero.
Braços: moderadamente oblíquos.
Cotovelos: trabalhando bem ajustados e paralelos; rentes ao tórax e corretamente
direcionados para a frente, não virando nem para fora nem para dentro.
Antebraços: vistos de qualquer ângulo, paralelos e verticais. Bem musculosos com uma forte ossatura.
Carpos: no mesmo prumo do antebraço. O osso pisiforme é a única parte saliente.
Ossatura forte.
Metacarpos: muito curtos e de pouquíssima inclinação. Ossatura forte.
Patas anteriores: curtas, redondas e compactas, não viradas nem para fora nem para
dentro. Dedos fechados e arqueados. Unhas fortes e pretas. Almofadas espessas e duras.
Posteriores: poderosos, com musculatura pronunciada, bem aprumados. Vistos por trás, perfeitamente paralelos; devem se mover no mesmo plano dos anteriores.
Coxas: largas, bem musculosas, estão direcionadas paralelamente ao plano mediano
do corpo. O fêmur não deverá ser nem muito reto, nem muito inclinado. A nádegaé bem descida e firme.
Joelhos: sensivelmente colocados sobre uma linha imaginária, partindo do ponto
mais elevado da anca (crista ilíaca) e perpendicular ao solo.
Pernas: moderadamente longas, bem musculosas, moderadamente anguladas.
Metatarsos: robustos e secos, mais para cilíndricos; perpendiculares ao solo quando o cão está em "stay" natural. Sem ergôs.
Jarretes: curtos, largos, musculosos e firmes. Vistos por trás, são retos e paralelos em posição de stay. Em movimento, não devem virar nem para dentro nem para fora.
Patas posteriores: redondas, sólidas, dedos cerrados e arqueados. Unhas fortes e pretas; almofadas plantares, espessas e duras.
MOVIMENTAÇÃO: o Bouvier des Flandres deve ser harmoniosamente proporcionado, de maneira a permitir uma movimentação livre, fluente e confiante. O
passo e o trote são a sua movimentação habitual, embora existam igualmente os que
fazem o passo travado ou passo de camelo. Em trote normal, o Bouvier des Flandres
cobre as suas pegadas dianteiras com seus passos traseiros.
PELE: firmemente aderida, sem frouxidão significativa. As bordas das pálpebras e
dos lábios são sempre bem escuras.
PELAGEM
Pêlo: bem farto, forma com o subpêlo uma capa protetora perfeitamente adaptada às bruscas variações climáticas da terra de origem da raça. Rústico ao toque, seco e fosco,
nem muito longo nem muito curto (em torno de 6 cm), ligeiramente eriçado sem ser lanoso ou encaracolado. Sobre a cabeça é mais curto, e quase raso na face externa das orelhas, cujo pavilhão interno é protegido por uma pelagem moderadamente longa.
O lábio superior guarnecido de bigodes e o queixo de uma barba cerrada e eriçada, conferindo a expressão barbuda característica da raça. Sobrancelhas revestidas de
pêlos levantados, acentuando a forma das arcadas superciliares, sem velar os olhos. O pêlo é, particularmente, espesso e cheio sobre a parte superior do dorso, encurtando
em direção aos membros, mas permanecendo todo áspero. Deve-se
evitar o pêlo raso,
porque denota uma falta de subpêlo. O subpêlo é uma camada de pêlos finos e cerrados
que ficam sob o pêlo de cobertura, formando com ele um manto impermeável.
COR: é geralmente cinza, tigrado ou encarvoado. A pelagem preta é igualmente aceita sem ser favorecida. A pelagem clara não é admitida. Uma estrela branca no peito é tolerada.
TAMANHO / PESO
Altura na cernelha: de 62 a 68 cm para os machos.
de 59 a 65 cm para as fêmeas.
Com tolerância de mais ou menos 1 cm. Em cada sexo, a altura ideal é a média dos dois limites, ou seja, 65 cm para os machos e 62 cm para as fêmeas.
Peso: aproximadamente: de 35 a 40 quilos para os machos.
de 27 a 35 quilos para as fêmeas.
FALTAS: qualquer desvio dos termos deste padrão deverá ser considerado como falta e penalizado na exata proporção de sua gravidade.
FALTAS GRAVES
· cão tímido.
· aspecto molossóide; cão muito pesado.
· corpo nitidamente longo demais (ligeira tolerância para as fêmeas); muito leve.
· cabeça maciça demais; stop muito marcado.
· sulco frontal marcado; apófi ses zigomáticas muito salientes.
· crânio abobadado, estreito; crista occipital muito pronunciada; total falta de paralelismo entre o crânio e o focinho.
· focinho muito longo; trufa pontiaguda .
· lábios flácidos ou espessos.
· torção de mandíbula; má oclusão; dentes pequenos, doentes e mal alinhados.
· olhos claros, globulosos; olhar atípico.
· orelhas inteiras franzidas, formando dobras (lobulares).
· pescoço cilíndrico; barbelas.
· dorso selado ou carpeado.
· importantes defeitos de aprumos; jarretes muito angulados; cão muito parado.
· pêlo sedoso; ausência de subpêlo; pêlo volumoso, brilhante, preparado.
· falta de guarnição na cabeça.
· defeitos de pigmentação: trufa, lábios e pálpebras.
FALTAS ELIMINATÓRIAS
· cão medroso e agressivo.
· falta de tipicidade.
· trufa despigmentada ou de outra cor senão o preto.
· focinho pontudo.
· prognatismo superior ou inferior.
· falta de qualquer outro dente que não seja o PM1.
· olhos de cores diferentes.
· entrópio ou ectrópio; pálpebras despigmentadas.
· pelagem de cor marrom chocolate, branco, sal e pimenta, cor desbotada, qualquer cor loura, do claro ao vermelho, mesmo encarvoado.
· tamanho fora dos limites do padrão.
NOTAS:
· os machos devem apresentar os dois testículos, de aparência normal, bem desenvolvidos e acomodados na bolsa escrotal.
· todo cão que apresentar qualquer sinal de anomalia física ou de comportamento deve ser desqualificado. |