PSICOLOGIA CANINA

INTRODUÇÃO

Para que se tenha um perfeito aproveitamento do estudo aqui desenvolvido e sua correta aplicação, faz-se necessário estudar profundamente, conhecer detalhadamente os aspectos psíquicos e comportamentais caninos. Em nosso método prima-se pela preciosidade dos detalhes, do aproveitamento do comportamento e das reações instintivas, assim como as respostas aos diversos estímulos percebidos pelo cão.
Bem antes do Adestramento Elementar, com o objetivo facilitar e otimizar o convívio do binômio homem/cão, parte do momento em que começam a surgir os primeiros dentes no cão, começamos a indicar palavras doces e brincadeiras quando nos é mostrado determinado tipo de comportamento (que possamos aprovar, lógico), e fechando a cara, seguido de um estímulo negativo sonoro para reprimir determinada atividade que possa direta ou indiretamente causar danos, de qualquer tipo de ordem. A constante observação de conduta, entre ambos, é uma meta difícil de ser alcançada. Os métodos ortodoxos devem ser esquecidos nesta faixa etária, pois é nela que se formam os arquivos, a biblioteca, as experiências do cão.

SOCIABILIZAÇÃO
É um trabalho constante, tão abrangente quanto toda a vida do nosso animal, desde sua retirada da ninhada (bem próximo ao desmame), para melhor ilustrar, abordaremos de forma ilustrativa:
- O filhote está num teatro.
- Ao sair da ninhada, abrem-se as cortinas.
- Tudo que acontece no palco será sua experiência.
- Todas as experiências serão condensadas em arquivos.
- Todos os arquivos serão guardados numa biblioteca existente atrás de si.
- Quando esta biblioteca estiver pronta, juntamente com a idade o cão a utilizará, como se fosse uma fonte de consulta, de acordo com as situações que vierem a surgir no palco.
- Uma biblioteca bem elaborada e bem diversificada dará ao nosso animal condições de uma melhor pesquisa.
- O raciocínio de um cão é como uma folha de papel em branco, a cada experiência, uma gravura, um risco um vinco (ou seja, se for errada, ficará gravada pra sempre).
- Como com o passa das eras o cão não desenvolveu tanto seu intelecto, age por instinto, devemos pois conduzir estes instintos, para que fique em seus arquivos na forma de FOTOGRAFIA POSITIVA.

CONCEITOS TÉCNICOS
- MEMÓRIA MECÂNICA: Trazida na carga genética de nosso cão, são atitudes tomadas sem explicação aparente, como dar voltas no mesmo lugar antes de se deitar.
- MEMÓRIA ASSOCIATIVA: É resultado de experiências vivenciadas pelo animal, como evitar o contato direto com abelhas (é diretamente ligada à convivência no seu habitat. O cão aprende através do auto-condicionamento, e este vem da repetição
continuamente e empírica. Para o trabalho, está ligada a memória seguinte...).
- MEMÓRIA AFETIVA: Como o nome já define, é ligada aos laços que envolvem seu ambiente, seria seu vínculo com outros seres vivos (de origem animal).
- ESTÍMULO: é algo que, induz o cão a apresentar um comportamento.
- RESPOSTA: é o comportamento apresentado pelo cão ao estímulo.
- LATÊNCIA: é o intervalo de tempo entre o estímulo e a resposta.
- PICO: é o ápice do estímulo ou da resposta, um momento em que a intensidade é muito grande.
- CONJUNTO: dá a idéia do conjunto da resposta.
- ESTÍMULO ELICIADOR: surge de maneira aleatória, retirando a concentração do cão o nossa no momento do exercício, independe de nossa vontade, geralmente apresenta-se como por exemplo: um gafanhoto na grama, um gato na calçada, a
buzina de um carro, um outro cão latindo...
- RECOMPENSA: é o prêmio que o cão recebe após a resposta, podendo ser carinho, um petisco, palavras de afeto...
- PETISCO: pedacinho de carne, ração, bifinho ou salsicha dado como recompensa.
O período em que um cão mostra uma determinada conduta e sua correção vai depender muito de manter ele no conjunto da situação até que seja contornada eventualidade, do mesmo modo como com a recompensa após a resposta. Induzindo o cão a uma nova atitude comportamental, podendo ser de prosseguimento, mudança ou de correção de suas atitudes.
Quando criamos um estímulo, por sua finalidade e forma de aplicação, pode ser Positivo ou Negativo, ambos com diversas formas de configuração e aplicação, com diferentes níveis e modos de aplicação e resposta. O Emparelhamento de Estímulos (uso de dois ou mais estímulos simultaneamente), pode ser feito para se obter uma conduta específica com menor espaço de tempo e menor número de repetições, (podendo ocorrer de um estímulo anular o outro e obterse um resultado não esperado), para alcançar êxito com o emparelhamento de estímulos é necessária cautela e critérios de aplicação, assim como sua sistemática de extinção. Há necessidade de ser cuidadoso com o uso de técnicas e evitar desgaste entre condutor e conduzido. Quando estimulamos, obtemos a resposta esperada, podemos reforçar este estímulo com um outro estímulo (recompensa), afim de consolidar a resposta, e posteriormente extinguir o reforço, não o estímulo.

FILHOTE
Cabe aqui uma advertência, não comprar cães de ascendência obscura, pois jamais poderá prever se o filhote de uma semana crescerá até atingir o tamanho de um fox ou de um dog alemão. Não poderá saber se ele será um mordedor ou terá um caráter mesquinho. Mas de uma coisa esteja certo: nascido de um acasalamento casual, apenas se pode esperar um viralata. A tendência comportamental de um cão adolescente ou adulto pode ser percebido desde suas primeiras semanas. Em apenas vinte e quatro meses, seu filhote poderá passar da infância para fase em que se torna um jovem adulto (o equivalente a 20 anos do ser humano), o que representa um crescimento intenso, mostrando a importância do seu primeiro ano. Somente você, o proprietário do filhote, pode assegurar o crescimento pleno do seu cão, permitindo-lhe que cresça mentalmente. Nesses vinte e quatro primeiros meses você Terá oportunidade de proporcionar-lhe uma vida de inteira saúde, um físico forte e sólido, pelagem lustrosa, olhos
vivos e dentes bem fortes, mas não é tudo.
É importante você iniciar com amor e firmeza a disciplina e treinamento de seu filhote. Isso irá ajudá-lo a tomar seu cão feliz, merecedor de toda confiança e bem comportado.

ADESTRAMENTO

CONCEITOS
Adestrar é utilizar os instintos e reações dos animais para facilitar a vida do homem, tornando agradável ao homem convívio do animal, utilizando para tal, métodos de repetição e condicionamento.

PRINCÍPIOS BÁSICOS DO ADESTRAMENTO
- Conhecimento constante dos exercícios;
- Repetição constante dos exercícios;
- Identificação do progresso do animal;
- Perseverança.

PRINCÍPIOS GERAIS DO ADESTRAMENTO

- Impor-se como mestre de seu cão, pois ele é quem trata diariamente de seu animal;
- A repetição e a disciplina são a base do treinamento, devendo o cinófilo cobrar os exercícios (mesmo os já aprendidos pelo cão);
- Reconhecer as limitações do seu cão;
- Nunca deverá perder a paciência com o cão, para tal, sempre que estiver de mal humor, deve interromper ou evitar o treinamento;
- As técnicas de emissão dos comandos servem para facilitar o adestramento do cão;
- A cada comando dado, o cão deverá reagir de uma forma, ou seja, não poderá ocorrer situações onde um comando dado não acarretará em uma execução;
- Os comandos:
a) deverão ser dados com firmeza e clareza;
b) o timbre e o tom de voz são de suma importância e não o volume e a intensidade;
c) tanto quanto, os gestos e expressões corporais poderão ser utilizados para facilitar o treinamento.
- A correção sempre visará a educar didaticamente o animal, devendo vir logo após a falta cometida e de intensidade compatível ao temperamento e sensibilidade do animal, privilegiando a correção da intenção, da ação somente num segundo momento;
- O comando NÃO, pronunciado sempre com bom tom e firmeza;
- A recompensa deverá vir sempre a cada exercício realizado por completo;
- Palavras de carinho, afagos, liberdade para brincar, execução de exercícios preferidos pelo animal;

VIRTUDES DO ADESTRADOR
Quem se propõe ao trabalho com cães, deve possuir qualidades, ou então cultivá-las de modo positivo:
- Gostar de cães - inclusive de realizar sua higienização.
- Zelar pelo próprio nome – alguém de reputação questionável (não zela por si próprio), logicamente não conseguirá executar um bom trabalho.
- Inteligência - já observou-se que pessoas de QI baixo, não são um bons cinófilos;
- Paciência e Perseverança - um cão não pode ser forçado a ter um comportamento desejado pelo cinófilo, nem este deverá esperar que o animal tenha a capacidade de compreensão idêntica à do homem. O cinófilo deverá ser paciente e perseverante em
cada exercício até vê-lo realizado com êxito.
- Coordenação Física e Mental - um bom cinófilo deverá ser capaz de transmitir seus comandos não só através de expressões corporais, também, de viva voz, isto requer grande coordenação física e mental.
- Relativa robustez - não basta o cinófilo possuir boa coordenação, deverá também ser capaz de resistir um relativo esforço, tão prolongado quanto o necessário, durante os períodos de adestramento.
- Iniciativa - embora o modo de proceder durante o treinamento esteja elaborado, é inevitável surgirem situações ainda não previstas
- Dedicação - a integridade do cão fica inteiramente entregue ao cinófilo. Os cães não tem meios para reclamar o tratamento que recebem e seu estado físico depende principalmente do grau de dedicação com que os cinófilos executam as tarefas de
manutenção dos canis, higiene e alimentação dos animais, tantas vezes quantas forem necessárias. Uma falha nessas obrigações significará em prejuízo no programa de adestramento.
- Confiança - uma vez que os cães poderão vir a ser escalados para a guarda de locais importantes, é imperativo que o cinófilo inspire confiança irrestrita.
- Observador e Detalhista - a base do adestramento é o detalhe, se o cinófilo não exigir de sí e do seu cão tal rigor, o êxito do adestramento não será atingido com a perfeição esperada, e ainda, possuir um alto grau de observação, em todos os
instantes ter a atenção voltada para o seu cão e tudo mais que esteja a sua volta, para evitar influências negativas ou transtornos no trabalho a ser realizado.
- Ter a mente aberta para compreensão e o aprendizado - que leva sua vida inteira (tanto do adestrador, quanto do cão), pois cada cão é uma nova experiência, um novo processo a ser avaliado e trabalhado, sempre há uma novidade.
- Ter objetivos claros, definidos.
- Utilizar métodos técnicos (não é necessário que sejam ortodoxos).
- Ter cautela com empirismo, pois podem trazer resultados instáveis.
- Flexibilidade e Criatividade.


PRÁTICA DE ADESTRAMENTO

ADESTRAMENTO BÁSICO
Antes do início do trabalho, todo adestrador deverá passear e brincar com o cão, primando pela consolidação da amizade, “lendo” as expressões corporais do cão e aproveitando para estudar suas reações aos estímulos, explorando através de brincadeiras as suas respostas, facilitando de modo positivo o estreitamento no relacionamento. Devemos, quando possível, introduzir em sua memória alguns comandos como: passear, não, aqui e senta (além do brinquedo e do petisco, o que certamente facilitará o processo de aprendizado). Em se tratando de filhotes, o colar, se estiver sendo utilizado, deverá estar travado para não causar danos e traumas (pois nesta fase podemos predispô-lo ou não a determinadas reações...). Se aplicarmos corretamente as técnicas, observando criteriosamente a boa condução comportamental do indivíduo, certamente obteremos êxito. Podemos utilizar, didaticamente, dos processos: O processo lúdico, onde ensinamos através de brincadeiras, de petiscos, etc como podemos utilizar também o processo mecânico, onde empregamos contato físico constante, direcionando através destes, a execução do exercício pretendido. Podemos ainda associar os dois processos, tudo dependerá na facilidade ou não de meu cão absorver determinado exercício numa determinada circunstância. O principal é possuir um bom leque de técnicas e empregá-las com critérios e com discernimento, a fim de poupar o cão e poupar tempo.
O cão estando com toda extensão da guia livre e a vontade (podendo até estar solto, dependendo do cão e do condutor), o adestrador fará brincadeiras, levando-o de um lugar para outro, sempre proporcionando experiências agradáveis, de modo a agradá-lo quando em sua companhia, introduzindo neste momento os comandos cabíveis. “Aqui”, chamando-o pelo nome
e encurtando a guia, trazendo-o ao seu lado esquerdo, liberando-o novamente para que se distancie, para chamá-lo novamente. Poderá utilizar um brinquedo, para que o cão possa também se familiarizar com objetos. Alguns cães pegarão espontaneamente o brinquedo lançado ao chão, poderá ser juntamente com o comando busca, o que facilitará muito no futuro, enquanto noutros teremos que introduzir o objeto em sua boca deixando-o à vontade para que brinque e passeie, a fim de acostumar-se com o mesmo.
Brincando também com uma bolinha de tênis ou salsicha de cizal para desenvolver sua mordedura, sempre reforçado ao máximo o interesse por brinquedos. Neste momento devemos conhecê-lo bem, aproximando-o das pessoas e outros cães a fim de sociabilizar seu comportamento, fazendo sua familiarização com tudo e com todos, evitando sempre que possível a ocorrência dos estímulos eliciadores e, quando estes surgirem, possa ser tomada uma atitude educativa, corrigindo preferencialmente a intenção (e não a ação), de modo que não cause traumas ou dificulte o aprendizado pelo cão. Este seria um forte motivo para em dados
momentos não liberarmos o animal sem guia, sem ter total domínio, pois poderia investir contra uma pessoa ou outro animal qualquer, ou até mesmo contra seu condutor.

Senta (exercício de controle)
Este exercício foi introduzido na memória do cão, na fase anterior, e agora iremos aperfeiçoá-lo com as devidas técnicas. Com o cão a sua esquerda, a mão esquerda irá ao trem posterior (garupa) do animal, formando uma pinça com o polegar e o indicador, direcionando para baixo e para dentro
(quando o cão sentar aberto). A mão direita auxiliará puxando com a guia para cima e para a direita, pronunciando o comando “Senta”. Agradando ininterruptamente, subindo e descendo lentamente a mão pelo seu dorso acariciando para acalmá-lo e conscientizá-lo que aquela é a situação mais agradável que existe para ele (obs: corrigir a posição da cauda, se este possuir), e mantê-lo no local, deixando o mesmo nesta posição por algum tempo. Se houver resistência pelo animal comandaremos “Não”, afim de corrigi-lo, comandando novamente o “Senta”, efetuando todos os procedimentos acima até que não crie mais resistência e execute o exercício corretamente, ganhando recompensas que lhe proporcionem felicidade imediata, e assim, sempre que a situação permitir, instintivamente execute o exercício.
Quando, numa fase seguinte, o adestrador fizer alto, o cão deverá sentar-se automaticamente.

Junto (exercício de amizade)
Já confirmado o elo de amizade, e conseguido introduzir os primeiros comandos: ”Não”, “Passear”, e “Aqui”, e ainda, sabendo sentar, que durante o período de amizade funcionou como aproximação para atrair o animal até o condutor, deverá ser desencadeado o processo de ensinamento deste novo exercício. Marcar um ponto de partida com o cão ao seu lado esquerdo,
uma convenção o internacional, colar ajustado a seu pescoço, traçará uma reta imaginária, rompendo sempre com a perna esquerda. Primeiramente andará em linha reta, auxílios de voz e carinhos para que o cão se condicione a acompanhá-lo. Se atrasar dará um leve golpe na guia para frente; sempre com passos curtos e vivos, demonstrando dinâmica (o cão tem impulso ao
movimento), se adiantar, pode-se quebrar a trajetória, de maneira brusca para a direita, e ainda, um leve golpe de guia para junto de sí, de modo que o cão entenda que quando se adiantar, correrá o risco de não acompanhar a trajetória de deslocamento de seu dono. Ao se afastar, pode-se utilizar o mesmo procedimento. No início do deslocamento, com a saída da posição básica, com a perna esquerda, comando de voz e ainda, nas mudanças de direção. Vale lembrar que o cão sempre deverá executar o exercício com satisfação.
Com a evolução do aprendizado, pode-se variar o circuito, com deslocamentos em ziguezague, quadrados a esquerda e direita, círculos, trotes, meia volta, ao som de ruídos diversos, etc.
Sempre ao fazer alto, o cão deverá sentar automaticamente, conforme aprendera anteriormente.

Fica (estímulo neutro)
Sendo estímulo neutro, o cão de fato não saberá de sua existência, mas existe, pois o animal deverá permanecer em seu lugar, ou na última posição, sendo reforçado pelo comando a que se quer obter uma resposta, ocorrendo o emparelhamento e posterior
anulação de estímulos. A grosso modo, não seria o ideal, mas é muito usual, introduzirmos o comando e depois o extinguimos, (vide psicologia ), em síntese, o cão só sairá para acompanhar seu dono se este sair com a perna esquerda.
Partindo do exercício sugerido, o adestrador ensinará o cão a ficar, passando a guia a mão esquerda, a mão direita espalmada, voltada para a trufa do cão, tencionando a guia levemente acima da cabeça do cão ( em movimento simultâneo), sairá lentamente com a perna direita, bloqueando a frente, se for o caso, para que o animal não o acompanhe, utilizando o comando do último exercício para reforçar a situação presente, se for o caso, para que permaneça na posição desejada; logo após retirará a perna esquerda, lentamente, reforçando o comando anterior e posicionando-se a sua frente, permanecendo por algum tempo; retornará ao lado direito do cão, dando-lhe recompensa. Repetirá quantas vezes for necessário, anulando e extinguindo os reforços do emparelhamento, aumentando a distância e posicionamento do adestrador (semicírculos à esquerda e direita).

Deita (exercício de submissão)
Para melhor postura do cão neste exercício, o adestrador deverá observar a posição da cauda e de seu posterior antes que o execute, tomando cuidado para que o cão não caia para os lados, além da altura de sua cabeça, que não deverá ficar apoiada ao solo (a posição ideal é a de esfinge), é interessante para o bom rendimento que este exercício não seja associado a traumas, o cão deve ter plena confiança em seu condutor para que não se sucedam eventos indesejáveis, é necessário que o exercício de amizade esteja plenamente assimilado pelo cão, para que se obtenha a confiança e a submissão não seja traumática. O Cão estando em “Senta”, o condutor com o pulso esquerdo através da alça da guia, sairá à frente do animal, postando-se de cócoras a sua frente; segurará com a mão esquerda pelo antebraço direito do mesmo, juntamente com a guia (a guia e o mosquetão não devem ser
obstáculos para o animal), e com a mão direita o antebraço esquerdo, puxando-os levemente para baixo e para frente(podendo ser em movimentos alternados), simultaneamente comandando “Deita”, mantendo-o ali por alguns instantes e eforçando/ recompensando, acalmando-o para que se sinta confortável neste exercício. Após algumas repetições, vem o condicionamento. Para completar o exercício, o condutor levantará lentamente, utilizará uma porção razoável da guia, com o passar do tempo executará também semicírculos a direita e a esquerda, sempre mantendo o controle sobre o cão; quando preciso, reforçando o comando de deitar, retomando ao seu lado direito, podendo comandar “Senta” e novamente”Deita”, utilizando algum estímulo sonoro, evitando que seja utilizado um estímulo negativo (golpe de guia), esta parte do exercício pode ser introduzida no exercício “Senta”, dependendo do cão. Uma vez condicionado neste exercício, o adestrador poderá introduzir o gesto, tanto para o
exercício deita, quanto para o exercício senta, sendo que, após efetuar o semicírculo, postar-seá a frente do animal, segurará a guia na mão esquerda em toda sua extensão, o braço direito estará estendido com o dorso da mão para cima, na direção da trufa do animal e comandará “Deita” e simultaneamente gesticulará suavemente para baixo, até que execute de forma satisfatória, respeitando-se os limites e tempos de aprendizado do cão. Para a execução do“Senta” o adestrador deverá proceder de maneira inversa.
Uma outra maneira de se conseguir o mesmo exercício parte do “Senta”, à esquerda do adestrador com o colar ajustado em seu pescoço, a guia estará na mão direita, com a mão esquerda postada no suporte do mosquetão ou no colar, fazendo um gancho com o polegar envolvendo o colar, próximo ao pescoço, sairá com a perna direita a frente (nunca esquecer que a perna esquerda sai simultaneamente com o comando “Junto”), evitando que o animal não saia da posição nem rasteje a frente, pressionará a mão esquerda, que está sobre o colar, para baixo e para frente, simultaneamente flexionará as pernas e comandará “Deita”, até que o animal execute o movimento, cuidando para que não fique com a cabeça abaixada, se houver resistência por parte do animal, corrigirá com “Não” e reforçando o comando de “Deita”, continuando o movimento até que o execute corretamente sem resistência, quando irá recompensa-lo. Gradualmente irá tirar o reforço do comando, o auxílio no colar. Poderá acariciálo, acalmando-o e mantendo-o no local por alguns instantes. Em seguida o adestrador levantará lentamente, fará semicírculos, retornando ao lado direito do animal, emparelhando/reforçando e recompensando.
O cão correspondendo a este exercício, o condutor fará todos os procedimentos acima, segurando a guia em toda sua extensão, introduzirá o gesto exatamente como foi explicado no primeiro método, onde fará também os semicírculos, aumentando estes até completá-los, passando por cima de seu dorso, tocando-o levemente com os pés para testar sua condição de aceitação do exercício, quando posteriormente poderá facultar o uso da guia, sem que se abra mão de critérios básicos, como controle e segurança.
Obs: Existem outras formas de fazer com que o cão execute o exercício “deita”, estas outras formas serão demonstradas oportunamente, e praticadas individualmente pelos instruendos, sem que sejam cobradas em verificação corrente ou final.

Aqui
Este exercício tem uma função fundamental, é um exercício de amizade, pois é conceituado como sendo uma das bases no convívio social entre ambos, onde o adestrador terá o total controle e domínio de seu cão (nesta fase devemos evitar correções severas), cão estará em “Senta” ou “Deita” (pode ser também, dependendo do cão, ser o primeiro exercício), o adestrador se posicionará abaixado frente do animal, segurará a guia na mão esquerda pela sua alça, chamando a sua atenção; indicará da maneira que melhor convier sua intenção, que o cão se aproxime com velocidade e alegria, sentando-se, quando for possível, a sua frente e, recompensando-o sempre, reforçando a atitude de sempre ao aproximar-se do condutor, será uma situação agradável...

Saltos
Para iniciarmos o treinamento de transposição de saltos, o adestrador deverá precauções para não traumatizar o animal, familiarizando-o primeiramente com um obstáculo baixo, para que consiga transpor sem dificuldade, até que atinja a altura padrão. Primeiramente o adestrador colocará o cão sentado atrás do salto, e chamando-o, induzirá este a transpor o obstáculo, dando a devida recompensa, poderá ainda ajuda-lo com a guia, mas evitando que o exercício se torne cansativo ou traumático. Introduzirá ainda um comando que o agrade, que o motive a trabalhar com alegria, repetindo a execução até que atinja a perfeição, respeitando-se os limites de raciocínio do cão. O adestrador repetirá todos os procedimentos acima ainda com a utilização da guia e quando conseguir que o animal salte, introduzirá um novo obstáculo, montando, no decorrer do aprendizado um circuito... é importante que fique gravado na cabeça do cão que, deverá permanecer aguardando até ser chamado (exercício fica e exercício aqui, por exemplo), e independente do obstáculo que se encontre entre ele e seu condutor, deverá transpor de maneira rápida, eficaz e alegre.

Pneu/Túneis
Para ensinar este exercício ao cão, o adestrador deverá ter a máxima cautela evitando a ansiedade na execução do mesmo, utilizando os mesmos princípios e a mesma metodologia empregado para os saltos supra citados. Uma evolução sugerida é a montagem de percursos distintos a cada aula, para que o cão não “decore “ a seqüência, que execute os exercícios co o
que o condutor estabelecer, não o que ele próprio definir.

Slalom
Neste, o cão não terá muita dificuldade, pois o comando que o condutor irá utilizar já foi condicionado, apenas auxiliando-o na transposição deste obstáculo, uma vez que já brincou e ensinou o cão a passar por entre as pernas, cruzando-as, primeiro estacionado, depois em movimento.
Umas das muitas maneiras é fincar vários cabos de vassoura no chão, em linha reta, em intervalos regulares, porém inclinados para lados opostos, visando facilitar a passagem do animal.
O adestrador posicionará o cão do lado direito do Slalom, na postura que mais convier ao aprendizado do cão, irá segurar a guia com a mão esquerda, induzindo e convidando o cão para que este entre para a esquerda do primeiro “barrete”, cruzando em sentido contrário em seguida, podendo ainda utilizar a perna como reforço, comandando simultaneamente “Cruza”, elogiando-o
com tom de voz ao tempo que o traz novamente com a mão direita, para o lado direito e para fora do obstáculo, até a execução final do obstáculo, onde o agrada com brincadeiras que o estimulem a sempre fazer o exercício o mais rápido e perfeito possível para que possa ganhar a recompensa.
Após ter firmado, o condutor colocará o cão numa posição inicial retirando a guia, comandará “Cruza”, auxiliado-o apenas com os dedos na argola do colar, para direciona-lo no vai e vem do SIalom até completar todo o exercício, no final dará a recompensa proposta. Esse procedimento será feito ate que o cão execute com perfeição o exercício, sem inibição ou auxílio
do condutor, apenas a comando, devendo imprimir cada vez mais velocidade.