CÃES GUIAS DE DEFICIENTES VISUAIS

Sem dúvida, uma das mais nobres atividades de emprego de um cão. E sem dúvida também sua eficácia em nosso país, além do seu elevado custo.
Ponderando:

  1. Já imaginaram o "ceguinho" sendo escorraçado com seu cão de uma loja de conveniência de um posto de abastecimento qualquer, de uma farmácia, do supermercado, de hospitais, do cinema (o cara pode ser cego, mas não é surdo!!!!!  Já observei alguns deficientes visuais saindo de salas de projeção aqui em Porto Alegre).
  2. E  pra atravessar a rua, cachorro não sabe ver semáforo, vai atravessar assim que as pessoas estiverem atravessando, assim, como nossa educação de trânsito... Mais um atropelamento, semáforo sonoro? Também tenho esperanças.
  3. O cão segue pela calçada conduzindo seu condutor, mas cada dia tem um carro diferente em locais diferentes estacionados sobre a calçada... além de obras de manutenção que cavam buracos e levam uma eternidade pra fechar... se pra quem pode enxergar não é uma das melhores cenas, e pra quem não pode? Deve ser terrível pisar no barro e sair melecando tudo sem saber.
  4. A quantidade de lixo atirado elas ruas, dificultaria muito o vida de um cão guia, além da quantidade de cães soltos e dos desocupados de plantão.

Afim de simular estas situações acima enunciadas, o mais próximo possível da realidade, poderemos contratar algo em torno de cinqüenta figurantes, alugar dez ou quinze carros, construir cenários (podendo incluir elevadores) do cotidiano que o cão irá vira viver, tudo dentro de um local amplo, tipo um sítio ou uma chácara, como se fosse nosso estúdio de cinema.
Mas o fator canino também é importante, existem linhagens de cães guias, procedimentos antes e depois no nascimento, a recria (período que vai do desmame até a troca de dentes) de forma adequada (geralmente executada por uma família parecida com a do cliente), e enfim, o treinamento básico altamente técnico num prazo médio de 120 dias a partir do final da recria, visando atividades simples como andar pela casa e pela vizinhança para só então, enfrentar mais 120 dias de atividade específica, como deslocar-se até uma repartição, supermercado, farmácia, parque, etc. E além disso tudo, pra variar... O principal interessado tem que ajudar também, pois ele é o centro da atividade.
Como podemos observar, os custos de mão de obra do adestrador são os menores.
A dependência do deficiente visual ao cão muito grande, e o respeito que isso deve imprimir no convívio social é muito grande, mas não poderia virar preconceito.
Meu agradecimento à Sandra Buncana (SP), que conheci a mais de dez anos numa série de simpósios de adestramento em Recife-PE e São Paulo-SP, e tem um esplêndido e silencioso trabalho nesta área.

 

STÉFANO SQUERLINE – ÁRBITRO CBKC/FCI